sábado, 7 de novembro de 2015

Resenhas no Metal - uma reflexão

Quando imaginei o Headbanger Letrada, pensei em escrever me valendo do que aprendi na faculdade de Letras (técnicas de análise/crítica e muitas outras nerdices humanísticas) para falar de Metal. Pensei que isso satisfaria minha ânsia de escrever e  ao mesmo tempo quis propor uma forma alternativa de falar de som pesado.

Não sei como são escritas resenhas em mídias brasileiras relacionadas a outras vertentes do rock, mas no Metal me parece que os textos  são apenas descritivos e que todos acabam seguindo a mesma "linha". Quando há crítica, é algo avaliativo, uma tentativa de atribuir valor negativo ou positivo. Em outras palavras, diz-se que a banda é boa ou não por motivos x, y ou z. Parece até que existe uma fórmula "velada" de como uma resenha deve ser....

Já pensei bastante a respeito disso e tenho a sensação (que pode estar muito errada, uma vez que não encontrei fontes que falassem da origem das resenhas de álbuns no Metal/Rock) que isso tem a ver com as dificuldades financeiras e logísticas de adquirir material no passado. Acredito que a mídia do nosso meio se via com a obrigação de descrever para os fãs o que encontrariam nos discos para que soubessem se gostariam de adquirir o trabalho ou pedir para algum amigo que fizesse cópia em fita K7 (se você lembrou de você fazendo isso é véio também ahauahuhauaha). Se pensarmos nas tão tradicionais comparações - quem nunca leu uma resenha que dizia essa banda lembra muito banda X na fase Y? - minha "teoria" parece bem provável.

As publicações eram assim
De maneira geral, a mídia especializada amadureceu muito, mas sempre me questiono se o conteúdo dos textos não poderia ter tomado um outro rumo. Como disse acima, pensando no contexto em que as primeiras publicações surgiram, essa forma descritiva de se fazer resenha e das críticas com atribuição de valor faziam sentido, mas diante do que temos hoje, será que ainda fazem? Será que agora com essa facilidade absurda de ouvir qualquer banda de qualquer lugar do mundo, as resenhas não poderiam adquirir um caráter mais analítico/reflexivo?

Com a entrada de "capital" na jogada, a mídia percebeu o poder da resenha e seu papel para imprensa acabou ganhando novos significados, mas o conteúdo e a forma continuaram basicamente os mesmos.

E caminharam para isso!
Verdade seja dita, se uma grande revista ou grande site faz uma crítica dizendo que determinado álbum é ruim, há um enorme impacto em sua aceitação. Algumas pessoas nem se darão ao trabalho de conferir por si mesmas (especialmente se a banda em questão não for muito famosa) e outras escutarão tão influenciadas que a chance de gostar serão mínimas. Levando isso em consideração, será que textos mais reflexivos e menos avaliativos não seriam muito mais interessantes?

Não quero de maneira alguma dizer que fazer resenhas seguindo esse modelo tradicional está certo ou errado. Quero apenas propor uma reflexão sobre o assunto e quem sabe ir preparando o terreno para minhas futuras tentativas de "resenha alternativa".  Penso que o próximo passo seria tentar demonstrar isso na prática e tentar responder as perguntas que eu mesma me faço e que dividi com vocês aqui. Já tenho em mente uma banda para tentar uma abordagem alternativa, aguardem!

"Peço desculpas pela ENORME demora e agradeço aqueles que contribuíram discutindo o assunto comigo e que deixei curiosos pra ler o texto: Dario Viola amigo querido, companheiro de cafés e vocalista do Blasthrash, , Bruno Aranha historiador, fã de metal e amigo das antigas e Dimitri Brandi do Psychotic Eyes.
Agradeço Eliton Tomasi e Susi dos Santos do Som do Darma que gentilmente cederam capas da extinta Valhalla para ilustrar o post."

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