sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Psycho (Cálice) ou It's a man's world

Há quase um ano um cara do metal está insistentemente me chamando para sair. Chegou no ponto de eu começar a me sentir agredida de tanta insistência. Já falei pro cara com todas as letras que não tenho o menor interesse em sair com ele, mas ele simplesmente não para.

Entendedores entenderão
Um amigo meu que também o conhece se prontificou a dar um chega pra lá nele e eu estou muito agradecida. Mas, ao mesmo tempo me sinto deslegitimada. Me sinto uma criança que não consegue resolver os próprios problemas. Nada do que eu estudei de feminismo e construção de gênero me protegeu de, novamente, me sentir impotente e insignificante diante da vontade de um único homem.

Além disso, a insistência desse cara me lembra muito a atitude do meu primeiro namorado com quem tive um relacionamento extremamente abusivo e que literalmente me destruiu. Qualquer coisa que me remete a esse doente, nunca pode ser boa coisa.

Again and again and again..
A vida é muito sarcástica, pois justo na semana em que eu decido "meter a boca no trombone" e "denunciar" o machismo no metal chego no limite e tenho uma crise de nervos e fico duas noites sem dormir chorando.

O que mais me doeu e me abalou durante essa semana foi o apoio que esse idiota recebeu sem saber. Há pessoas me dizendo que eu sou exagerada e que estou sofrendo por pouca coisa. Não consigo evitar de me sentir moralmente violentada e é uma pena não contar com a solidariedade de pessas que amo. 

Desculpem, mas se eu fosse eu importunando o cara por um ano qual seria a posição da sociedade? Certeza que diriam "a mina é uma louca, o coitado não aguenta mais isso." Ou pior "Certeza que é falta de pica".

Sei que isso pode soar meio machista, mas a verdade é que o fato de meu suposto "companheiro" ter se omitido e de eu ter recebido mais apoio dos amigos me deixou muito mais triste.  Não preciso de um homem pra bater no assediador, só queria alguém que segurasse a minha mão pra eu ter coragem de enfrentar o meu medo.

Hoje uma amiga maravilhosa falou comigo a respeito disso e me ajudou a ter certeza de que eu não tenho culpa. Ela disse: "se a sua voz
Ana = Argentina = mi hermana!
interior está lhe dizendo que o que esse cara está fazendo ESTÁ ERRADO, pq vc não agiria assim, ESTÁ ERRADO MESMO"
. Eu adoraria colocar uma foto com essa amiga aqui hoje, pois a conheci ainda criança e a respeito e amo demais. No entanto, hoje eu não quero que mais ninguém que não me conhece saiba como é minha cara.

Claro que isso é uma contradição da minha parte, afinal, eu tenho um blog, uma página na internet... mas hoje me dou o direito de pensar a maluquice que eu quiser.

A música "Cálice" não me saiu da cabeça a semana toda, tive a idéia louca de tentar fazer a minha versão dela com o que vivi nessa semana. Em alguns trechos simplesmente não mexi mantendo os versos originais, já em outros alterei tentando fazer esforço pra caber no tempo da música e em alguns não tinha como caber e eu apertei o foda-se porque o eu queria mesmo era me expressar. 

Prevejo "headbangers true real" querendo me matar por usar um som de MPB num blog em que a palavra Headbanger figura no título. Mas,
ahauhauhauhaua
sinceramente, se você não consegue admitir que há boas músicas em outros estilos, você não é fã de música. É simplesmente um idiota alienado e caga regra do caralho. Especialmente porque essa música tem uma importância histórica absurda e é muita limitação não conseguir "ouvir" além de notas músicais.

Uma pena eu não estar na vibe de divulgar foto minha hoje, tenho tantas fotos zoando que ilustrariam maravilhosamente bem esse post. Mas, nosso amigo Bob Esponja me socorreu nessa missão! (Bruno Aranha você que ama o Bob Esponja, olha aqui no meu blog!)



Pshyco (Cálice)


Pai, afasta de mim esse psycho
Pai, afasta de mim esse psycho
Pai, afasta de mim esse psycho
Que quer tirar o meu sangue

Pai, afasta de mim esse psycho
Pai, afasta de mim esse psycho
Pai, afasta de mim esse psycho
Que quer tirar o meu sangue

Como engolir essa agressão amarga
Tragar a dor, engolir o choro
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que vale saber feminismo
Melhor seria não ter consciência
Outra realidade menos impotente
Tanta mentira, tanta força bruta

Pai, afasta de mim esse psycho
Pai, afasta de mim esse psycho
Pai, afasta de mim esse psycho
Que quer tirar o meu sangue

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai, afasta de mim esse psycho
Pai, afasta de mim esse psycho
Pai, afasta de mim esse psycho
Que quer tirar o meu sangue

De tão velada a agressão já não é vista
De muito comum a reclamação já não se escuta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Pai, afasta de mim esse psycho
Pai, afasta de mim esse psycho
Pai, afasta de mim esse psycho
Que quer meu sangue

Talvez o metal não seja uma merda
Nem seja a cena uma mentira pura
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça