quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Super Peso Brasil + retomada das atividades

Meu intuito ao escrever esse post não era de fazer uma resenha sobre o evento. A princípio eu queria apenas expressar o quanto esse festival foi maravilhoso e usá-lo como desculpa para reativar esse blog, mas quando me dei conta, eu já estava fazendo uma espécie de reflexão sobre a cena.

Inicialmente pensei em escrever um texto comparativo entre o Super Peso Brasil e um show da banda argentina Horcas que tive a enorme felicidade de comparecer, no entanto, conforme as linhas foram surgindo, percebi que não seria necessário recorrer a nossos hermanos como exemplo de atitude. (Por favor não me venham com aquela intriga Brasil X Argentina! Não quero entrar nessas questões hoje e talvez nunca queira, mas a verdade é que precisamos reconhecer que em termos de apoio e reconhecimento de bandas locais, eles detonam a gente fácil!) Felizmente, a atitude do público, dos produtores e das bandas no Super Peso foi muito diferente daquilo que estamos acostumados e por isso conseguirei dizer tantas coisas que estão há tempos engasgadas somente usando o produto tupiniquim como matéria. 


Super Peso Brasil, mais que um evento, uma lição!

(todas as fotografias são do amigo Rogério Seiji Kubometal - outras fotos tiradas por ele desse evento e de vários outros eventos em https://www.facebook.com/KUBOMETALFOTOGRAFIA


No último final de semana aconteceu em São Paulo o Super Peso Brasil, evento que reuniu cinco bandas pioneiras do Metal Brasileiro: Metalmorphose, Centurias, Taurus, Salário Mínimo e Stress.

Apesar de todo o forte trabalho de divulgação da equipe de produção e dos grandes nomes que se apresentariam, admito que até chegar ao Carioca Club e ver que a casa estava lotada, me questionei se esse show ia "virar". 


Sim, esse questionamento me ocorreu, afinal quantas e quantas vezes shows de boas bandas brasileiras não são um fiasco? Não que eu ache que isso seja normal ou que acredite que isso tenha que ser assim. Acredito que nós deveríamos nos dar ao trabalho de conhecer as bandas locais, de prestiagiá-las adquirindo material e comparecendo às suas apresentações, mas quem tem um mínimo de contato com o underground sabe que não é bem assim que as coisas funcionam. 


Escrevo com orgulho que o público compareceu em PESO e participou! As pessoas cantaram, bateram palmas e cabeças e alguns mais audaciosos até resolveram dar mosh! Não posso deixar de comentar que vários membros de bandas que não se apresentaram estavam presentes. Vi integrantes do Torture Squad, Selvageria, Panzer, Nervosa, Sakrah, Anthares, Minotauro, Skinlepsy e quero acreditar que outros estavam ali e que não vi ou que vi, mas que não conheço a banda em que tocam.

A presença de membros de bandas que não faziam parte do cast foi marcante para mim, pois me remeteu a um tópico delicado e polêmico que sempre me ocorre: Integrantes de bandas que enchem a boca para reclamar da falta de apoio do público, mas que não comparecem a eventos que eles não vão tocar. Antes de reclamar que seu último show estava vazio, acho que esses caras podiam se perguntar: "A quantos shows de bandas locais eu fui ultimamente?"

É preciso também ressaltar o excelente trabalho da produção, pois não presenciamos os habituais atrasos e longas esperas entre uma banda e outra. O som estava muito bom e foi possível notar que as bandas puderam contar com o apoio de roadies durante toda a noite. Depois de uma divulgação tão intensa, era de se esperar que o evento seria bem feito e não me decepcionei! A iniciativa de fazer a promoção de compre uma lata de cerveja e leve outra também foi muito bem pensada. Esse tipo de iniciativa que contribui para que o público compareça. Outros fatores positivos foram a escolha de um local de fácil acesso e o horário de término, pois todos puderam ir embora usando o transporte público! 

Público presente e boa produção não seriam suficientes para uma noite tão bacana quanto essa, as bandas fizeram muito bem o seu papel. Eu vi shows de verdade e não apenas caras tocando seus instrumentos. Você deve estar pensando o que eu quero dizer com isso. Bem, eu entendo show não como caras executando músicas, mas sim como caras performando e foi isso que pude presenciar no Super Peso.

Não pretendo comentar cada um dos shows, mas gostaria de destacar os covers: Metalmorphose tocou Satã Clama Metal do Azul Limão e o Salário Mínimo tocou Salém do Harppia. As escolhas das bandas a serem homenageadas e as músicas foram impecáveis. Durante a execução de Salém o Salário contou com a participação do Jack Santigo, que estava tão empolgado que até fez "acrobacia". 

Esse festival  - que parecia mais uma grande festa entre amigos - mostrou que é possível ver eventos só com bandas brasileiras lotados, que há produtores que trabalhar com seriedade e que se você tem banda, não é porque sua banda não vai tocar que você não pode estar lá.